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© O Copyright de todas as imagens deste site pertence aos respectivos donos das imagens. As imagens apresentadas neste site servem apenas para dar a conhecer Marilyn Monroe e não obtenho nenhum proveito comercial com as mesmas.
"A primeira vez que me encontrei com Marilyn, ela estava a dançar com o seu primeiro marido, Jim Dougherty, que foi meu colega de escola. Ele estava de uniforme e chamou-me: "Ei, fora-da-lei! Quero que conheças a minha mulher, Norma Jeane". Olhei para cima a partir da mesa onde me encontrava e vi uma coisa pequenina de cabelos castanhos claros e sorriso doce. Acenamos um "olá". Ela estava completamente curvada sobre o braço dele.
Mais ou menos um ano depois, estava eu a passear pela RKO com o realizador Nick Ray quando passamos por uma rapariga que vestia uns jeans apertados e uma blusa de homem atada com um nó por baixo do peito, mostando a barriga. Nick parou o carro e disse: "Quero que conheças esta miúda... ela está a passar uns maus momentos com a protagonista de um filme que está a ser sarcastica com ela". À medida que caminhavamos, ele chamou: "Marilyn, quero que vocês se conheçam. Jane, esta é Marilyn Monroe". O cabelo dela era agora loiro. Nick mostrava-se preocupado, atento e protector.
Eu acredito que a verdadeira qualidade que fazia a Marilyn diferente dos outros - assim chamados simbolos sexuais - era a sua... vunerabilidade. Todos queriam olhar por ela, ajudar. Ela recebeu protecção de todos menos dos insensiveis, ou daqueles que, claro, queriam um mundo adulto sofisticado, onde todos são responsáveis por si, um mundo de humor corrosivo, um mundo de aproveita-tanto-quanto-dás. Eu estava acostumada a esse mundo, mas a Marilyn podia ficar terrivelmente magoada. Ela simplesmente não conseguia compreender que as pessoas fossem más. Era super sensível - e com razão, considerando o seu passado sem direcção e o seu futuro incerto.
   Marilyn tinha uma sede enorme de conhecimento e auto-aprefeiçoamento. Ela adorava poesia e música e era institivamente atraída pela cultura, por todas as artes, mas o dinheiro e o poder não eram para ser obtidos por coersão; especialmente se aplicados a Marilyn. Ela poderia fugir como uma borboleta. Lembro-me de a ouvir dizer: "Se eles não vão ser justos e simpáticos, posso sempre ir-me embora. Posso passar com muito pouco. Aliás, não é nada que não tenha feito antes".
   Quando começamos a gravar
Os Homens Preferem as Loiras ela teve pela primeira vez o seu camarim de "estrela" de primeira, apesar de já ter sido protagonista em filmes anteriores. Ela estava determinada a fazer com que os seus patrões da Fox a levassem a sério. Trabalhava dia e noite ensaiando as danças ou então, quando havia gravações durante o dia, revia o guião à noite com a sua ensaiadora. Eu chegava a casa exausta e pronta para descansar, mas a Marilyn trabalhava pela noite fora. no dia seguinte chegava cerca de uma hora antes de mim. Estava sempre pronta mas não conseguia ir sozinha para o estudio de gravação Ficava completamente paralizada. Por uns dias reinou uma certa tensão no estudio - não podiamos fazer Howard Hawks esperar sem que ele nos deitasse um olhar frio como aço! Whitey, o seu maquilhado, confidenciou no meu camarim que sentia-a com medo de entrar no estúdio - de enfrentar a "fera", como assim era.
   Assim, a partir daquele momento, eu parava no seu camarim e dizia: "Vamos loiraça, está na hora. Vamo-nos a eles!". Marilyn olhava-me e num murmurio de rapariguinha dizia: "Oh... ok" e lá iamos nós juntas.
   Todos a achavamos muito cooperativa, doce e divertida, e quando a camera rolava ela cintilava. Fisicamente, ela parecia não ter ossos... curvava-se em todas as direcções... era como carne ondulante... e apesar disso, uma inocencia de criança estava sempre presente. Se alguém lhe levantasse a voz ou fosse muito rispido, ela chorava - era certo.
   Os fotógrafos são as mais gentis das criaturas. Eles tiram o melhor dos seus modelos. É a sua obrigação, senão perdem-nos... e a nossa Marilyn respondia-lhes tal como uma flor se abre para o sol..."

                                                                                Jane Russel, prefácio, in
Marilyn and the Camera
"Marilyn Monroe foi uma lenda. 
   Durante a sua vida, ela criou o mito daquilo que uma pobre rapariga vinda de um meio cheio de privações pode alcançar. Para todo o mundo ela tornou-se o simbolo do eterno feminino.
   Mas eu não tenho palavras para descrever o mito e a lenda, nem ela haveria de querer que o fizessemos. Eu não conhecia esta Marilyn Monroe, nem ela própria a conhecia.
   Nós reunimo-nos aqui hoje, conhecendo apenas Marilyn - um ser humano caloroso, impulsivo, timido e solitário, sensivel e com medo de rejecção, no entanto sempre cheio de vida e tentando alcançar a sua plena realização. Não vou insultar a privacidade da memória que têm dela - privacidade que ela tanto apregoava e estimava - tentando descrever-la como tão bem sabe, quem a
conhecia. Nas recordações que guardamos dela, ela continua viva, e não apenas como uma sombra no ecrã ou como uma personalidade sensual.
Para nós, Marilyn era uma amiga leal e devota, uma colega sempre em busca da perfeição. Partilhamos as suas dores e dificuldades e algumas das suas alegrias. Ela era um membro da nossa família. É dificil aceitar o facto que o seu gosto pela vida terminou com este terrível acidente.
   Apesar de todo o resplendor e pontos altos que adquiriu no ecrã, ela estava a planear o futuro; antecipava poder participar em muitas coisas excitantes que planeou. Aos seus olhos - e também para mim - a sua carreira estava apenas no inicio. O sonho do seu talento, que ela alimentava em criança, não era uma miragem. A primeira vez que ela veio ter comigo, fiquei espantado com a sensibilidade que ela possuia e que sempre ficou presente, tentando lutar por se expressar apesar do mundo a que estava sujeita. Outros eram tão bonitos fisicamente quanto ela, mas era obvio que havia mais qualquer coisa nela, qualquer coisa que as pessoas viam e reconheciam nas suas actuações e com a qual se identificavam. Ela tinha uma qualidade luminosa - uma combinação de desejo ardente, fulgor, saudade - que a fazia por-se de parte e todavia fazia com que todos desejassem fazer parte disso, partilhar uma ingenuidade infantil que era timida e ao mesmo tempo vibrante.
   Esta qualidade tornava-se mais evidente quando se encontrava em palco. Fico verdadeiramente triste que todos vocês e o público que a amava não tivessem a oportunidade de a ver como nós a vimos, em muitos papeis que antecipavam aquilo em que ela se tornaria. Sem sombra de dúvida, ela seria uma das grandes actrizes de palco.
   Agora está tudo terminado. Espero que a sua morte faça crescer um sentimento de simpatia e compreensão por uma artista sensivel e uma mulher que trouxe alegria e prazer ao mundo.
   Não posso dizer adeus. Marilyn nunca gostou de despedidas, mas na sua maneira de ser conseguia dar a volta às coisas de maneira a que enfrentassem a realidade - Eu direi au revoir [até à vista]. Porque o país para onde ela foi, todos nós um dia visitaremos.

                                                                                Louvor de Lee Strasberg - 08 de Agosto de 1962
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